12 de julho de 2015

Um papo sobre os dias tidos como improdutivos e descartáveis


Um certo domingo me vi num dilema. Não estava com vontade ou coragem de fazer nada, de cumprir qualquer compromisso ou tarefa. Infelizmente esta posição de não fazer nada foi mantida e "perdi" o dia inteiro na cama, naquela relação de comida x dormida. Até aí tudo bem. Isso poderia ser tido como um descanso de uma semana bem agitada e de uma rotina cumprida ao longo dos dias. Mas e quando ficou um sentimento estranho de "culpa", insatisfação e desgosto por não ter executado alguma tarefa separada para aquele dia?

As vezes penso que tenho tantos compromissos todos os dias - inclusive aos domingos - que não me dou um dia de folga. Pensar por este lado é terrível porque sempre balanceio meus horários e distribuo em atividades que me fazem bem e me dão alegria de viver tanto no meio pessoal, como no profissional. Nunca excedo demais em nenhum dos dois. Então qual a razão do sentimento de improdutividade? 

Creio que o maior problema foi querer fazer algumas coisas e não me levantar para agir. Não foi a frustração de ter compromissos que eu executo normalmente diariamente e sim o fato de eu não ter tido um esforço para executá-los. Não sei se algum de vocês já sentiu sentimento semelhante, mas sinceramente que coisa chata. Pense assim: uma lista de afazeres, mas você não os faz para ficar o dia todo dormindo e olhando pro teto na cama. É basicamente esta a situação. 

Estou escrevendo isto aqui porque não faz sentido não revelar estes pequenos deslizes que acontecem com todo mundo. Quem aqui não para um minuto, nunca se estressou porque não fez uma atividade na hora marcada ou nunca teve um dia de indisposição em que ao invés de agir escolheu ficar deitado na cama o dia inteiro? Não somos de ferro. Depois parei para analisar que, ter "perdido" o dia (na minha cabeça) não foi assim tão ruim, pois eu estava muito cansado. MUITO. O que significava começar uma semana esgotado da anterior e isso sim iria ser prejudicial. 

Quando esses dias de indisposição e "improdutivos" se tornam acumulativos, aí sim há uma geração de problemas. Compromissos são frustrados, prazos e datas se tornam poeira e nada se resolve. Aí entra a organização, limpeza da mente e sentimentos, pulso firme e força de vontade para sair da zona de conforto. Tenho a consciência que este só foi um dia que desacelerei e procurei afastar esse sentimento negativo. Bola para a frente. 

As vezes só precisemos nos desligar de modo geral. Nada de compromissos num dia para relaxar, nada de metas diárias impossíveis e nada de se sentir frustrado porque não realizou determinada atividade. Há dias que acordamos com todo o pique e motivação e outros dias que simplesmente queremos passar o dia na cama quando possível. Não somos máquinas recarregáveis. Nossas baterias levam um tempo para se recompor. 

Portanto, meu intuito com este post era ter essa reflexão e conversa franca com vocês a respeito desses dias "desgostosos" que nos deixam com sentimentos negativos no âmbito de nada fazer, nada acontecer, nada produzir, nada agir. Devemos pegar leve com nós mesmos e se for preciso um dia totalmente passivo, que seja. Se isso significa recarregar nossas energias para voltarmos contudo no restante da semana, maravilha. Aprendi a lidar com esse sentimento de frustração transformando-o em um sentimento de paz, onde eu sei que de vez em quando, é preciso desacelerar. Tudo é uma rica experiência.

Ótima semana para vocês amigos! 

Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

2 comentários:

  1. Boa Noite!
    Estou em um período de TCC e as vezes simplesmente não tenho energia para produzir, as vezes simplesmente quero ler alguma coisa que não tenha haver com o meu trabalho sabe? Mas quando faço isso me sinto tão culapada por desperdiçar o tempo que já é curto fazendo coisas que não estão ajudando o TCC, fico preocupada se conseguirei ou não finalizar este trabalho que está sendo tão difícil para mim. A pior parte é ter de fazer sem inspiração, decidi que procurarei levar as coisas com mais calma, sei que vou conseguir mas que tenho de respeitar os limites do meu cérebro e corpo, ainda estou me adaptando as muitas mudanças que ocorreram na minha vida...
    Entendo esta sensação de se sentir culpado, mas é como você disse, se nos colocamos como um momento de paz e curtimos isso talvez conseguiremos recarregar as energias e encontrar inspiração para encarar o resto da semana mais facilmente não é mesmo?
    Me perdoe pelo comentário grande e confuso, como sempre me trazendo muitas reflexões...
    Uma ótima semana para você, abraços!

    http://cortinasderenda.blogspot.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Entendo bem como é! Já chegas da aula "destruída" não é? Realmente nesta reta final parece que tudo se acumula e os compromissos parecem ser mais urgentes que o normal. Sem contar na percepção de que parece faltar tempo para tudo. Eu creio que esta preocupação é normal, porque apesar de tudo, você pouco ou muito está todo dia se dedicando ao TCC. Não é algo, pelo o que você falou, que está deixando para a última semana, até porque não daria "tempo". Talvez se você não comece ou dormisse, só produzisse, o que iria ser mais complicado.

      Tente não se preocupar tanto, eu sei que é realmente estressante e o tempo é curto para este trabalho de suma importância para a finalização do curso, mas tente ter seus momentos de relaxamento sim pois só assim tu vais recarregar tuas energias e produzir mais. Compromisso tu já tens, força de vontade também, então descanse no fim do dia, ninguém é de ferro. Como tem o equilíbrio de um lado, do profissional posso dizer assim, tem que ter um equilíbrio maior no lazer.

      Faça isto. Relaxe um pouco, inspire-se, assista seus programas favoritos, leia seus livros mais instigantes e se perdoe antes de tudo. Perdoe suas falhas e aceite que você é humana e tem suas necessidades fora da sala de aula. A faculdade pode tomar muito tempo do seu dia, mas nunca você pode deixar ela tomar completamente este tempo. Continue usando o blog como refúgio. Obrigado pelo comentário grande e "confuso". Comente mais assim, grande beijo e muito sucesso, sei que vais conseguir.

      Excluir

Laços atemporais

Não tenho para onde fugir. Desde sempre quando falo de livro, em livro, com livro, meu coração transborda de amor e vício louco. Quando passo numa banca de DVDs não consigo deixá-la de lado. Tenho que ir, ver, comentar, compartilhar, abraçar. Esta categoria representa tudo o que implica a minha mais alta motivação. Sou bibliófilo, cinéfilo de carteirinha. Passo horas em pé na livraria e perco a noção do tempo. Falar de coisas boa me dá combustível para viver e esta categoria está recheada de presentes bons. Saiba mais aqui.

Festim enigmático

Sempre estou em festa quando falo sobre tecnologia, relacionamentos, inspirações, etc. É isto o que esta categoria representa. Queria um nome que representasse festa, ao mesmo tempo que me inspirasse e a palavra "enigmático" cai como uma luva. Trata de uma euforia que não consigo ignorar. Saiba mais aqui.

Atauúba atiaîa

Eu estava procurando uma maneira de homenagear os povos indígenas de alguma forma no meu blog. Pouquíssimas pessoas sabem, mas recentemente descobri que tenho descendência indígena de bem próxima o que me deixou mais apaixonado e agradecido ainda. Procurei algo mais geral, pois é sabido que há inúmeras tribos espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Procurei algo em tupi guarani (língua em que o nome da categoria está escrita) e achei a combinação de duas palavras. Atauúba (flecha incendiária) Atiaîa (raio de luz que reflete luminosidade). O termo Atauúba atiaîa significa a modo grosso "flecha incendiária de luz" e é tudo o que esta categoria representa para mim quando falo de organização, estudos, etc. É uma maneira mínima de honrar nossos irmãos indígenas ainda hoje tão maltratados, perseguidos e injustiçados. Saiba mais aqui.