26 de agosto de 2015

Desapegar. Será que é complicado como dizem?


Esses dias estive pensando em como é difícil desapegar para a maioria das pessoas. Pensei nisso vendo algumas atitudes de posse bastante curiosas ultimamente. Para poder começar este post tenho em mente uma cena que ocorreu comigo. 

Venho fazendo uma limpeza nas minhas redes sociais de maneira audaciosa e completa. Apagando algumas plataformas, explorando e usufruindo mais de algumas que eu já tenho e revendo meus conceitos sobre mídias digitais, tema do qual venho estudando há meses para tomar alguma decisão baseada nesse estudo e na minha qualidade de vida pessoal na internet. 

Quando comentei e expliquei o meu querer de tirar das redes sociais o meu nome e minhas fotos, muitos estranharam e a maioria não me entendeu. Pelo contrario, deve ter me tirado como uma pessoa estranha. Parece até que não querer me expor fosse coisa de alienígena. Fala sério. Não é nada surreal querer se ausentar por um tempo.

Percebi nesta situação, em cada conversa que tive, que é muito difícil para as pessoas desapegarem do que possuem. Incrível como isso ocorre com redes sociais em que algumas pessoas se sentem obrigadas a participar por mais que deixem o perfil às moscas e com algumas tralhas acumuladas porque podem servir num futuro próximo, mas que nunca chega.

Me ausentar de algumas redes sociais me deixa mais leve e centrado naquilo que devo fazer ou que quero alcançar na vida mas que não quero dar pistas a ninguém, entendem? Estou desapegando de muitas redes sociais por vários motivos, são eles: 1) Não me sobra tempo para dar a atenção que "devo" a cada plataforma; 2) Estou sentindo minha vida pessoal muito exposta, por mais que eu tire quase todas as informações; 3) Como não tenho o interesse de conhecer novas pessoas pela internet, dificilmente vivo seguindo e adicionando desconhecidos. Entre os mais diversos motivos. 

Procuro ter somente o meu whatsapp para quem quiser me achar, para não sumir. Tirando isto, só vejo necessidade de manter as redes sociais do blog (twitter, facebook, instagram, etc.) e me dedicar a elas de forma mais profissional e não tão pessoal. Isso para mim no momento - depois de ter pensando e repensado por meses - muito certo. Sinto uma leveza só de conversar com vocês sobre este assunto, porque sou muito transparente e preocupado nessas questões de privacidade na internet.

Estou fazendo um processo de desapego enorme na minha vida. Estou praticamente abandonando os livros físicos por motivos de não ter espaço para guardá-los. Como eu sempre digo em posts anteriores, meu sonho é ter uma biblioteca pessoal com muitas estantes e livros de vários gêneros e temas, pois leio de tudo. Mas só quando eu tiver um cômodo na minha própria residência para isto. Na situação atual venho desapegando e me livrando de muitos volumes e sagas que tenho. Tenho desapegado valendo.

Tenho desapegado também com meus aquivos digitais. Tenho através do Dropbox (posso falar dele futuramente aqui no cantinho) transferido todos os meus arquivos de fotos, vídeos, músicas e documentos do meu desktop pessoal e do Onedrive onde até então eu guardava muitas fotografias por pastas e sub-pastas. Tenho achado o Dropbox espetacular depois de vários testes e benefícios da versão free. Essa versão é bem completa, moderna e responde às minhas expectativas de usuário. O que mais achei interessante foi a facilidade de compartilhamento com diversos aparelho e dispositivos. 

Sempre na vida precisamos desapegar. Seja de sentimentos, seja de pessoas, seja na maior parte das vezes das tralhas e objetos que acumulam à nossa volta. Incrível como quando alguém diz: "desapega disto, daquilo" a maioria das pessoas olham com um olhar te dizendo que você falou um palavrão desagradável. Desapegue e encontre o real objetivo da importância de acumular coisas. Será que vale a pena? É tão importante assim que merece ficar empilhado juntamente com aquele brinde que você não podia perder e ficou empoeirado o ano passado todo? Reveja e relembre a importância do "ter".

Nos dias atuais acabamos virando um carrinho de compras ambulantes, em que tudo deve ser guardado, acumulado e trazido para dentro de nossa casa. Não podemos trazer tudo. Fazer tudo. Absorver tudo. Temos que aprender a desapegar e aprender a valorizar aquilo que realmente será importante ter em nossa vida todos os dias e enquanto durar. 

Esse texto é mais uma reflexão de como desapegar pode não ser tão complicado como muitos dizem. Simplesmente temos que aprender a desapegar aprendendo mais sobre nós mesmos e principalmente nos policiando em cada esquina ou em cada ponto de venda. Desapegue e seja mais feliz. Se apegue menos e dê mais valor e importância ao que merece. Chega de perder tempo de forma literal. Ao invés disso, ganhe tempo. Desapegando é uma ótima forma de começar. Faça acontecer. 
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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