15 de agosto de 2015

Dia dos pais. Dia de festa, dia de pranto.


É preciso aprender a lidar com a dor. É o que tentado me convencer todos esses anos de saudade. Hoje em dia meu pai não está mais conosco, imagine a tortura que é lembrar-se dele todos os dias do ano e mais ainda neste dia de comemoração para muitos? Por vezes tento fugir de tais pensamentos, mas a avalanche que eles trazem, é absurda. 

A dor de um ente querido que se vai, nunca mais é esquecida. Nunca mais some. Nunca mais é apagada. Hoje é o dia dos pais no Brasil, um dia feliz para muitas famílias, alegre, emocionado, para outras famílias, como a minha, é apenas mais um dia qualquer, um domingo vazio com uma dose alta de melancolia. 

Felizmente é possível aprender com a dor e constatar que nunca estamos prontos para perder alguém. Comprovamos que só quem sente é quem sabe a dimensão sem fim do desgaste que é. Sabemos que não desejamos isso nem ao nosso pior inimigo, pois nenhum ser humano deveria sentir este tipo de dor.

Mas também comprovamos que tudo é por um motivo maior, tudo é parte de um quebra cabeças gigante do qual não sabemos a resolução final. Um grande mistério de Deus. E que Ele faz tudo bom, em seu tempo. No momento exato. Ontem foi o aniversário dele e é sempre assim que lembrarei do meu herói, um alguém com emoções à flor da pele, paciente, amado por todos e com um histórico de trabalhador e inteligência impecável.

Muitas perguntas não são respondidas de fato. Mas a alegria aos poucos vai restaurando e contornando aqueles momentos de dor, nos quais pensamos que vamos desabar para nunca mais nos levantar. Não tem como fazer do texto hoje algo não triste. Se eu ainda tivesse o meu herói, possivelmente estaria pulando de alegria com ele, ou apenas comemorando alegre de alguma forma. 

Estaria pronto para um perdão, um sorriso, um orgulho, um gesto simples. Não quero emocioná-los com minhas palavras, nunca foi e não é a intenção. Quero apenas dizer o quando me sinto ferido por dentro nessas coisas que envolvem os lindos papais e o meu nunca mais poderá participar. 

Aproveitem seus pais que ainda estão na terra dos viventes. Faça aquela ligação que você nunca mais fez, ouça a voz única que vocês nunca mais ouviram e matem a saudade. Matem o orgulho. Matem o ressentimento. Matem o próprio altar ego que te impede de fazer o que é essencial. Dê aquela carta escrita a punho que é de coração. Presenteia-o com a sua presença insubstituível. Compre aquela passagem de apenas um dia e vá vê-lo. Passar o dia com ele. 

Valorize-o, enquanto ainda o tem. Pois infelizmente isso é um privilégio que nem todos têm. Eu não o tenho. Se você o tem, abrace-o com força. São minhas únicas palavras num tremendo desabafo. Tudo começa incrivelmente a perder o sentido de forma inevitável. Os anjos agradecem por mais uma pérola recolhida.
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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