21 de agosto de 2015

O peso da criticidade alheia



Ultimamente temos visto inúmeras situações simples que causam constantes revoltas, ódio coletivo e aparecimento de valentes virtuais. Tudo que é postado é analisado, criticado, muitas vezes julgado e incompreendido em 95% dos casos. Tudo que é postado vira notícia, se torna febre de calorosas discussões em tempo real.

As vezes penso que se afastar de toda esta confusão online é a solução. Talvez não, já que podemos filtrar aquilo que vemos diariamente em nosso feed pessoal. Tantas redes sociais, tanta facilidade em expor aquilo que passamos, sentimos e fazemos que as vezes esquecemos como é maravilhoso considerar e viver o real sentido da palavra simplicidade. 

Não precisamos ir para o meio rural para encontrar a paz ou isolamento virtual (por mais que seja um refúgio tentador). É incrível a nossa dependência para estar online sempre. A maioria simplesmente fica com atitudes deploráveis e um tanto preocupativas se proibidas de entrar em alguma rede social. Eu compreendo. Realmente apertar o botão "enviar" é pra lá de revigorante.

Nos dá certo poder de visibilidade. De existência. O problema com o desenvolvimento da internet nos últimos anos é o surgimento de diversos senhores da verdade absoluta. Diversos ninjas do bom xingamento e ofensa odiosa recheada de preconceitos e achismos. 

São tantos críticos fenomenais que fica até difícil achar o mais brilhante malfeitor. Algumas pessoas estão tão preenchidas com ódio e destruição, que procuram deturpar valores básicos de passividade necessária. 

É confusão e constantes críticos "letrados" e "estudados" na questão política do país e do planeta contra o governo, contra a presidenta, contra o partido do PT, contra o vereador A, o senador B e infinitas reclamações e criticas ardentes. São tão certos  na missão de designar o ódio da tela do computador, que muitos nem se preocupam em escrever um português correto. Simplesmente digitam com muito pouca cautela seus pensamentos mais sórdidos e muitos - arrisco dizer - até fascistas. 

Estudar um pouquinho de história virou coisa doentia. Não se faz mais tanto isto. A não ser que a interpretação de alguns beirem à ambição de mudar a história ocorrida. O passado nunca mais foi o mesmo. 

É ódio disseminado contra a classe feminista, LGBT, racial, estrangeira, etc etc etc etc etc. É interessante como certos brasileiros sempre acham espaço para criticar e nada fazer. Quem muito fala, pouco resolve ou acalanta. Não precisamos de ninguém para agitar mais este panelão que todos nós estamos inseridos atualmente. Não queremos ninguém para colocar mais lenha na fogueira, até porque aqui está em constante calor. 

Precisamos que pessoas bem informadas (de todos os lados manipuladores e tantas vezes sensacionalistas) que sempre encontram uma maneira de trazer paz aos conflitos. Que tragam armas de amor e não bombas de preconceitos neuróticos. Creio ser a permissão dos céus Deus ter permitido tantas coisas acontecerem nos dias atuais, para vermos que o mundo caminho sem nenhuma brincadeira ao abismo mais inconformado. 

Não podemos ser críticos perfeitos por um motivo óbvio: temos falhas pra caramba. Mas o certo está a disposição de todos nós e é nossa escolha agarrá-lo. Devemos estudar cada vez mais porque esse conhecimento pode salvar vidas, inclusive as nossas. Nada é concreto, mas os fatos não mentem. Resta querer saber: nós queremos aceitar os fatos? Fiquemos de olho em nossa nação com um olhar mais brando e especial, porque nós não temos a verdade absoluta. Jamais teremos. 

Faça sua parte, assim como eu tenho feito a minha. Ainda há muitos que não esqueceram o real significado e importância das belas palavrinhas "Muito obrigado", "Com licença", "Por favor" e tantas outras. E que sejamos um deles. Cidadãos respeitados, confiantes em si mesmos e que pelejam pelo certo numa sociedade tão distorcida e tantas vezes cruel. Por onde andares. Com quem falares. Seja verdadeiro com o que você sente e transmita bondade e esperança no seu dia a dia. Ao menos tentemos. 

Obrigado às pessoas que não deixaram o país entrar pelo brejo de vez e traz consigo a marca de um futuro promissor que desenvolverá mais do que belas construções civis. Desenvolverá belas construções pessoais. Quero ser sempre um desses que fazem a diferença não só com palavras, mas com atitudes marcantes que fazem jus à palavra proferida.

Por menos criticidade alheia e mais educação e amor de berço esplêndido. Um ótimo dia.
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

2 comentários:

  1. Parabéns pela postagem!

    Adorei a forma como falou sobre a geração vazia que se desenvolveu nesses últimos anos. É tanta gente superficial e carregada de preconceito, que dá até agonia. E a parte mais triste desse drama, é que boa parte dessas pessoas encontra na internet uma forma de liberar suas frustrações pessoais atirando dardos de veneno em todas as direções. Todos, simples grãos de areia escondidos atrás de um teclado e uma tela de computador.

    Adorei seu blog, suas postagens então, nem se fala.

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    1. Obrigado Mateus, de verdade!

      É exatamente este tipo de coisa, quando você escreveu no comentário: "É tanta gente superficial e carregada de preconceito (...) liberar suas frustrações pessoais (...)", é bem assim. Quanto mais frustradas em alguma área de suas vidas, mais arrogantes e preconceituosas. A grande maioria das pessoas. São muitos valentões por trás do computador, é complicado.

      Volte sempre com comentários maravilhosos como este, grande abraço!

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Não tenho para onde fugir. Desde sempre quando falo de livro, em livro, com livro, meu coração transborda de amor e vício louco. Quando passo numa banca de DVDs não consigo deixá-la de lado. Tenho que ir, ver, comentar, compartilhar, abraçar. Esta categoria representa tudo o que implica a minha mais alta motivação. Sou bibliófilo, cinéfilo de carteirinha. Passo horas em pé na livraria e perco a noção do tempo. Falar de coisas boa me dá combustível para viver e esta categoria está recheada de presentes bons. Saiba mais aqui.

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