9 de setembro de 2015

Por mais bicicletas nas ruas


Recentemente li um caso de desrespeito enorme contra uma ciclista em São Paulo no site do Pragmatismo político onde um motorista, homem, fala para a moça: "Vagabunda, aqui não é Amsterdã." Como eu já ia escrever da importância de se ter mais bicicletas nas ruas do que até carros, se me permitem dizer, vou juntar os dois pontos.

Incrível como o ser humano pode beirar ao insano, não é? Este é o link da matéria, leiam: aqui. Este senhor agressor, é além de mal educado, desrespeitador e irresponsável. Dizendo de maneira bem leve ainda. O cara mandou a moça ir lamber as bolas do prefeito, denegrindo a imagem da mesma e quase derrubando-a no asfalto, causando danos físicos, se achou no direito de ofender alguém que nem conhecia. Imagina que tipo de ser humano é este no dia a dia? Dá até nojo e revolta só de pensar. 

A moça escreveu uma carta decente para este senhor e não saiu do salto por nenhum momento. Espero que ele tenha lido e pensado no que fez. Este tipo de pessoa no mínimo deveria estar sem contato com seres humanos. Imagina o que não faz em casa? Pois é. 

Nos comentários há de tudo. Extremistas, machões, quem apoia, quem condena. Julgadores e gentilizadores. Outros ainda generalizam de forma verdadeira e absoluta. Há várias discussões do que pode ser feito para melhorar esta situação, o que não deve ser feito e o que provavelmente nunca irá acontecer. Só nos resta esperar uma posição das autoridades para tentar erradicar ou amenizar todo este conflito. Do jeito que está não pode ficar. O desrespeito de ambas as partes, na maioria dos casos, é gritante. Todos querem ter direitos (todos os têm de fato), mas nem todos querem ter deveres. Tenho fé que melhorará.

E como falo de bicicletas, nos últimos anos, venho notando a importância de tê-las por perto de forma cada vez maior. A poluição ambiental no geral, de todos os lados, está altíssima. Nós já estamos sofrendo na pele os resultados e consequências de nossos atos contra a natureza. Mais carros nas ruas significa mais gás carbônico na atmosfera agravando mais ainda os gases do Efeito estufa. Nem tudo que sobe daqui do chão sai para o espaço e este é o grande problema.

Chuvas ácidas, raios mais potentes do sol, esquentamento do planeta, etc são só algumas das milhares de consequências por conta de falta de conscientização e falta de querer por parte de todos nós. Nunca se falou tanto em sustentabilidade e em salvar o meio ambiente como nos dias atuais. O mundo vive uma crise existencial de mares subindo, consequentemente geleiras derretendo, placas abaladas, lugares se tornando cada vez mais inóspitos, água ficando em escassez e muitíssimo mais.

Claro que há muito mais do que eu estou pincelando aqui, porém o foco da postagem é este: menos carro, mais bicicletas. Na minha concepção, de usuário de transporte público numa cidade caótica, vejo solução em melhoramento do transporte público, vias separadas para veículos pequenos, para ônibus e vias separadas para ciclistas. Mesmo já tendo, ainda é quase nada. E o pouco que tem quase ninguém respeita. Quase ninguém respeita o lugar do outro, o espaço do próximo.

O metrô também é um forte aliado na luta contra a superlotação em todos os setores da sociedade. Quando o metrô é melhorado sempre há benefícios para todos nós. Mas para que isto funcione nas grandes cidades, é preciso ter organização, pois o Brasil tem áreas muito extensas e cidades quilométricas. Vejo assim: a má distribuição de moradias e residências em várias cidades do país, ocasionam poucos espaços para circulação. Na minha opinião tem isto também. A ocupação desordenada da população. 

Muito espaço perdido e mal articulado pelas prefeituras, mal fiscalizado também, poderia ser utilizado para circulação de todos os tipos de meio de transporte. Mas isto na prática dá um trabalho enorme, sem dimensões. Catalogar, organizar, separar, delimitar e fazer uma porrada de outros processos dentro da sociedade é sim demasiadamente complicado. Então não sei como ficará a situação daqui para a frente. Somente espero isto: mais bicicletas, menos carros. 

Nada contra os maravilhosos carros. Mas façamos nossa parte. Também ando de carro. Tente ir para o trabalho de bicicleta ao menos três vezes na semana. Deixe o carro mais guardado na garagem esta semana. Emita menos poluição. Caso você não possa fazer nada a respeito e tenha que andar de carro por conta da distância e outros fatores, tudo bem. Não estou dizendo para você acabar com sua qualidade de vida para "salvar" o planeta. Me entendam. Simplesmente comece a contribuir e incluir na sua rotina ações e atitudes mais sustentáveis e saudáveis até para sua saúde. 

Faça diferente! Vá a pé se seu trabalho, curso, universidade é perto. Vá de bicicleta e tenha cuidado com o trânsito violento que temos atualmente. Temos que fazer cada um nossa parte para que em conjunto façamos o planeta respirar melhor. Não sei se conseguir ser muito claro em algumas coisas que falei, são tantos lados para pender que não quero tirar o foco do post. 

O que você acha meu leitor amado? Devemos ter mais bicicletas nas ruas do que carros? Talvez por conta do sistema de organização falido que temos onde falta espaço para pedestre, carros, ônibus e ciclistas? Você acha que reduzindo o número de carros da rua e aumentando o número de bicicletas conseguiremos ajudar mais o planeta? O que achas do caso da moça e o senhor da Grande São Paulo? Vamos conversar! Um dia de luz e possíveis soluções, abraços. 
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

4 comentários:

  1. Infelizmente carro é visto como um troféu do sucesso, essa cultura nos foi colocada desde muito cedo, e agora é difícil a mudança. Bicicletas são urgentemente necessárias, e quando as usamos, a gente participa da cidade, percebe coisas que passavam despercebidas. Sou super a favor. Apesar de ser amante das quatro rodas e não ter bicicleta (mas tenho patins, vale né?)

    Abraço!

    www.amtonline.com.br

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    1. Verdade meu caro Adriano. Quem tem carro, tem "poder" de compra. E isto está bem longe do que é a realidade. Bicicletas apesar da total falta de segurança, é a melhor opção, pelo menos na minha opinião. Como você disse, quem anda de bicicleta acaba participando da cidade e aproveitando muito mais do passeio do que com o carro.

      Patins também é uma boa, use-os mais! Obrigado pela presença, abraços.

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  2. Bicicleta é super válido. Econômico e não poluente; mas eu amo o metrô. Embora, nos países europeus (alguns deles) já adotaram o uso da "magrinha" faz tempo! Abraços !!!

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    1. Levando em conta a estrutura do Brasil, é difícil circular até no metrô. Aqui em Recife mesmo, o pânico está estampado no rosto das pessoas que precisam desse transporte todos os dias para se locomover. Bicicleta ainda é mais válida porque a cidade não demonstra uma estrutura (segurança e amplificação) do metrô. Ai acaba ficando defasado metrô, linhas de ônibus e tudo mais. Na Europa há "outra" realidade, apesar de muitos problemas também. Espero que o uso de bicicletas seja melhor aqui no país. Tudo está uma bagunça, infelizmente. Obrigado pelo comentário amada, beijos!

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Laços atemporais

Não tenho para onde fugir. Desde sempre quando falo de livro, em livro, com livro, meu coração transborda de amor e vício louco. Quando passo numa banca de DVDs não consigo deixá-la de lado. Tenho que ir, ver, comentar, compartilhar, abraçar. Esta categoria representa tudo o que implica a minha mais alta motivação. Sou bibliófilo, cinéfilo de carteirinha. Passo horas em pé na livraria e perco a noção do tempo. Falar de coisas boa me dá combustível para viver e esta categoria está recheada de presentes bons. Saiba mais aqui.

Festim enigmático

Sempre estou em festa quando falo sobre tecnologia, relacionamentos, inspirações, etc. É isto o que esta categoria representa. Queria um nome que representasse festa, ao mesmo tempo que me inspirasse e a palavra "enigmático" cai como uma luva. Trata de uma euforia que não consigo ignorar. Saiba mais aqui.

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Eu estava procurando uma maneira de homenagear os povos indígenas de alguma forma no meu blog. Pouquíssimas pessoas sabem, mas recentemente descobri que tenho descendência indígena de bem próxima o que me deixou mais apaixonado e agradecido ainda. Procurei algo mais geral, pois é sabido que há inúmeras tribos espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Procurei algo em tupi guarani (língua em que o nome da categoria está escrita) e achei a combinação de duas palavras. Atauúba (flecha incendiária) Atiaîa (raio de luz que reflete luminosidade). O termo Atauúba atiaîa significa a modo grosso "flecha incendiária de luz" e é tudo o que esta categoria representa para mim quando falo de organização, estudos, etc. É uma maneira mínima de honrar nossos irmãos indígenas ainda hoje tão maltratados, perseguidos e injustiçados. Saiba mais aqui.