4 de janeiro de 2016

Desapego e o ano que passou


Tenho pregado bastante o desapego de coisas, pessoas, sentimentos e objetos no geral, pois estou bem envolvido nessa vibe ultimamente. Desapego até de fotos e documentos. Desapego na organização, desapego nas roupas, desapego em casa, desapego na vida. Desapegar é bom demais. Você já testou e sentiu a sensação? Se não, sugiro que experimente. Pode ser reconfortante e esclarecedor. 

Vejo o desapego como um começo de iluminação. Desapegar é não só dizer, mas também dar um basta na mesmice e na comodidade. É fazer diferente. Tenho começado um caminho de destralhamento e desapego que vai dar inveja em muitas pessoas que se sentem perdidas em meio a um caos de sentimentos e ações que só o atrasam. É preciso querer a mudança e fazê-la acontecer. É necessário abraçar a mudança. 

Desapegar pode gerar um vazio momentâneo. Mas garanto a você: dá e é humanamente possível para e de superar. Não se desafaça ou desapegue de coisas que são sua história mais importante, por exemplo. Tem gente que vira fanático e é radical com o desapego. Não se desafaça do que é importante para você ou do que virou boa lembrança, ótima memória. Todos nós temos uma trajetória. É sempre bom relembra-la e sempre fazer o novo de excelência. 

Desapegue dos erros do passado, das péssimas linguagens, da força do hábito ruim. Desapegue de péssimas energias, de más emoções, de modismos nocivos. Você é sempre mais do que o pessimismo e falta de esperança. Desapegar é limpar a casa. Por dentro e por fora. Tenho razões para acreditar que o meio externo influencia e muito o nosso meio externo. Seja nosso corpo ou onde vivemos e convivemos. Faça a diferença com sua vida. 

Desapega, desapega, desapega! Começa o ano com o pé direito e fazendo o certo! As recompensas virão ao teu encontro e te perseguirão. Faça o seu e saiba viver sua verdade, portanto que ela não ofenda ou prejudique ninguém. Pensar no outro é também desapegar. Mais ainda pensar em si mesmo. Conecte-se consigo mesmo e desapegue. Mal não vai fazer.

Comece a organizar. Organização é um meio de desapego. Filtre o que você quer ver e vai ver em 2016. Talvez as roupas (em todos os sentidos) que te vestiam hoje não tem vestem mais. Os galhos mudam. As folhas caem. As raízes permanecem. Somente mude suas fontes se necessário. Faça sempre o que é o melhor para você. Saia de qualquer dependência. 

Este ano que se passou para mim foi fenomenal. Eu pude aprender a enxergá-lo por um novo ângulo e de uma perspectiva totalmente nova e diferente. Aprendi com muitos erros, alguns ainda tento reparar mas confesso que me falta a paciência necessária. Estou trabalhando nisso. Aprendi a ser mais controlado do que eu sempre fui. 

Aprendi a definir bem minhas prioridades e objetivos. Aprendi a fazer novos planos e executá-los. Aprendi a me doar mais ao próximo e a ter mais amor pelo ser humano e pelos animais. Aprendi mais a cuidar do que é meu e preservar meus desejos. Fui muito difícil em alguns momentos, admito. Mas também mantive minha identidade com isso. 

Muito aconteceu no ano que se passou. Muitas águas rolaram, muitos lações foram refeitos e muitas paixões foram redescobertas. Muitas coisas mudaram e continuam em andamento, mesmo que na marcha mais lenta. Conheci sabores, gostos, lugares novos. Tudo contribuiu para a construção da minha paz interior. Exercitei bastante a responsabilidade este ano. 

Desapeguei muito e ainda estou neste processo. Leva tempo até que eu mesmo me acostume com o novo eu e com o Ewerton que está surgindo a cada madrugada, cada batida, a cada escolha. Reconheço que tenho tanto a melhorar e firmo aqui a promessa que já estou provocando esta mudança. Muitas coisas em segredo e costumo dizer: tudo passa. E passa mesmo. Nada como um dia após o outro. 

Você tem desapegado? Sugiro que comece de agora. Um lindo abraço.

Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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