28 de fevereiro de 2016

A cultura do desapego saudável


Fala-se tanto em desapego nos nossos dias que fica até fácil de confundir conceitos e fazer coisas exageradas relacionados e direcionados ao assunto. Isso é de longe aceitável. Ter um desapego saudável consiste justamente em ter um desapego consciente, favorável a você e aos que te rodeiam. Ninguém funciona bem à base de exageros. Simplesmente não rola. Causa desconforto às pessoas e destrói relacionamentos que poderiam ter sido sempre saudável. E é sobre o desapego saudável que quero conversar com vocês no post de hoje. Prontos?

Tenho aplicado o desapego saudável em minha vida há alguns meses. Eu estava levando certos relacionamentos na base da pressão, do drama e de todos os sentimentos negativos que você puder co-relacionar com os citados anteriormente. Eles, esses sentimentos, tinham algo em comum. Nenhum era saudável. Foi ai que comecei a nutrir melhor meus sentimentos, a me conhecer melhor, a refletir como eu poderia mudar como pessoa. 

Eu tinha em mente, que só depois de mudar como pessoa, é que eu teria a possibilidade de melhorar meus relacionamentos de maneira geral. Tratando cada um com a responsabilidade necessária e com a atenção suficiente para não ultrapassar do saudável. Foi quando comecei a aplicar também o desapego saudável e comecei a recuperar as relações que eu estava colocando no lixo por bobagem.

Praticar a cultura do desapego saudável é uma atitude poderosa. Nos faz ver claramente onde estamos depositando nossa energia, se vale a pena se desgastar tanto por algo ou alguém, traz sempre à memória um amor próprio. A lembrança de um querer particular. Antes de qualquer coisa, de qualquer amar, de qualquer desapego, é preciso se amar. Se querer. Se desejar bem. Querer ver a própria felicidade e maturidade. 

Isso é fácil mudar. Só é um processo demorado. Quer uma dica? Aproveite mais os momentos e observe e escute mais. Fale menos. Só o necessário. E um necessário paciente e compreensivo. Este olhar de compaixão vai dar toda a diferença nos seus julgamentos e interpretações. Vai te ajudar a se colocar no lugar do outro. Vais se tornar mais humano, e isto é de certa maneira, muito bom e saudável. 

Não devemos praticar o desapego em momentos de crise emocional, de instabilidade ou erros nossos ou dos outros. Devemos aplicar o desapego em momentos de alta reflexão e sentimentos calibrados. Até porque para ser saudável, não deve ser obrigado, e sim motivado. Uma motivação saudável e consciente. 

Um dos maiores delitos de quem desapega é ser radical. Amado(a), tende a não funcionar, infelizmente. Não se frustre mais, não se aborreça ou se magoe mais. Simplesmente perdoe e siga em frente. Desapegar com raiva ou ódio de alguém ou alguma coisa, não vai te libertar, vai te acorrentar mais ainda. Preste bem atenção e reflita. 

Desapegar é bom demais. Especialmente quando é um desapego ciente de razão e pelos motivos certos. Cabe a você decidir-se se vai desapegar por X motivo. É sua vida. É sua realidade. É seu parâmetro. Você tem que escolher o melhor equilíbrio para sua vida. Que se encaixa nas suas necessidades e no seu modelo de pensar e de ser. O desapego que eu faço, pode não servir como modelo para você. "Conhece-te a ti mesmo", como já dizia o filósofo.

Quero finalizar este post com um clamor a você: desapegue de forma saudável! Se preciso for, tire um tempo para si próprio e analise suas falhas e acertos, veja bem no que você pode mudar, no que você pode conversar e concentre-se no que você irá resolver. Desapego não é sinônimo de afastamento, por mais que se complementem. Eu posso estar presente na vida de alguém, mas não sufocá-la, apenas acrescenta-la no que tenho de melhor a oferecer. Somente. 

Pense nisso. 
Abraço apertado. 

Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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