8 de fevereiro de 2016

A ideia de fotografar tudo nos dias de hoje


É certo que com a popularização dos smartphones, câmeras profissionais ou não e inúmeros objetos e aparelhos com câmeras embutidas como tablets, televisões, etc., a arte de fotografar ficou mais acessível e cheia de adeptos. Sejam eles profissionais ou amadores. E com a facilidade que temos de compartilhamento com uma conexão válida a internet, todo o desejo de mergulhar de cabeça nesta arte, se multiplicou de maneira inexplicável. 

Com todas estas implicações e modismo das últimas décadas (pois sim, a internet é um mundo jovem ainda), me veio a mente a questão: Há necessidade de fotografar tudo nos dias de hoje? Porque a maioria das pessoas sentem essa necessidade de comartilhar tudo de suas vidas? Seja o sorvete que comeu, seja o passeio que fez, seja a hora que comprou, seja a intimidade do seu relacionamento, enfim, infinitas situações que nos deparamos todos os dias. Há necessidade? Qual o prazer disto?

Quando compartilhamos algo é comum que aquela foto, publicação e afins, caiam no esquecimento virtual e vire uma espécie de diário de web, onde sempre qualquer pessoa de sua rede de amigos ou pública (quando você não priva somente para você, o que digo ser raríssimo, pois se não mostrar ao mundo, perde-se o encanto) pode acessar quando bem entender e se for algo que te comprometa na vida real, em off, aí é que os curiosos e difamadores de plantão adoram. 

Aprendi com anos de mídias sociais, que as pessoas são muito curiosas mesmo, e que procuram sempre algo para te prejudicar. Expor sua vida pessoal, sua intimidade, o que você faz ou deixa de fazer, pode ou não te colocar em maus lençóis. Há pessoas, como bem sabemos, que expõe seu corpo e isto na minha opinião pessoal, repito, minha opinião, é ridículo. Patético até. Quer mostrar suas partes íntimas como se fossem um trodéu. Querido e querida, se dê o valor. 

Há uma nuvem de testemunhas que nos cercam todos os dias, em todo o lugar, toda hora. Já fui muito de expor minha vida pessoal na internet, mas nunca minha intimidade. Hoje já não faço isso. A maioria do que vivo não posto. Posto 5% do que vivo e olhe lá. Sempre com muito cuidado, ponderação e sabendo o que está ali. Sabendo que o que eu postei não vai me prejudicar 1 minuto depois.

Costumo fotografar muitas coisas, especialmente se for algum passeio. Não fotografo pensando em postar e sim como lembrança. Acredite se quiser. Tanto é que guardo a maioria de minhas fotos e vídeos amadores. Guardo mesmo. Compartilho somente na minha nuvem de armazenamento pessoal e organizado tudo ali para ficar bem acessível. 

Ontem mesmo, estava eu vasculhando minhas memórias de 2009, 2010, 2011, 2012, 2013 e 2014 somente pelo meu bel prazer. Postei uma foto minha no perfil do meu Instagram pessoal (@ewertosco) com uma foto de 2014. E está lá, uma foto cinza, podem conferir. 

Tudo o que procuro fazer, faço com significado, com propósito, com certa dose de razão. Não entulho fotos ou as deixo desorganizadas na nuvem. Eu sempre coloco tudo organizadinho e a qualquer momento, várias vezes no dia, eu vou lá nas inúmeras pastas e consulto no lugar específico. Tem funcionado assim.

Acho válido a fotografia, para mim ela me proporcionou oportunidades de guardar os meus melhores momentos, a preservar minhas melhores memórias, a relembrar as melhores lembranças. Tenho pensado em revelar algumas fotos para servir mesmo de recordação para as futuras gerações. Fazer um álbum físico histórico da minha família. Todos os que estão vivos e se possível os que já faleceram. 

Penso que se tenho que começar algo assim, tenho que começar o quanto antes. Isso a fotografia pode me proporcionar. Sou muito a favor da tecnologia como meio de ajuda profissional, como entretenimento, e a fotografia casou-se bem com ela, porém devemos ter cautela e muito cuidado no que se é exposto toda hora, todo dia, para todo o planeta. Cuidado com sua vida. 

Nos últimos dias encontrei alguns familiares e minha mãe também. Ambos ouvimos um turbilhão de perguntas de gente curiosa e sem escrúpulos, parentes curiosos em especial, que só sabem criticar e serem os donos da verdade dizendo: "Ele tem que fazer isto, ele é isso, ele é aquilo." Especialmente comigo, mas eu não ligo. Pelo contrário, peço para Deus iluminá-los, pois são hipócritas.

Como não tenho postado quase nada sobre minha vida profissional e pessoal, ficaram curiosos, loucos atrás de alguma informação minha para ficarem falando, comentando, achando, julgando, especulando. Melhorem, pessoas. Cada um é cada um e todo mundo tem sua vida particular. De nada interessa sua vida a parente. A conhecido. A colega. Sua vida só interessa a quem você quiser contar, aos seus amigos mais próximos, a sua família de verdade. Resto é resto. 

E isto não é amargura, é a verdade nua e crua. Não devemos gastar tempo e energia com quem só quer ver o nosso mal. Que só quer nos ferir, nos magoar. Devemos sempre estar perto daqueles que acrescentam, que somam, que trazem boas e sinceras notícias. O melhor provém deste meio. E você dá o seu melhor com pessoas maravilhosas ao seu redor. 

Selecione suas amizades e todo o seu círculo de contato, isso também serve para suas fotos e quem está nelas. Pergunte-se: porque tenho essa pessoa nas minhas memórias pessoais ou em qualquer lugar das minhas mídias sociais? Eu realmente quero a presença dela? Se a resposta não for satisfatória, se desfaça daquela mídia. Doa a quem doer, chore quem chorar, faça drama quem fizer. É você guiado por Deus quem dá as cartas da sua vida. 

Você acha válida a ideia de fotografar tudo atualmente? Qual a real necessidade disto? Algum de vocês já pensaram sobre o assunto? Vamos conversar, beijo grande. 
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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