6 de março de 2016

{FILME} Love de Gaspar Noé


Vim hoje comentar sobre um filme que ficou na minha mente dias e dias depois de assistido. Não por suas cenas de nudez e sim pelo drama pesado que carregou em cada cena. Já adianto que não é o tipo de filme que todo mundo curte e nem que todo vive. Mas creio ser a realidade de muitas pessoas. Especialmente dentro do seu escuro quarto entre as fumaças de cigarro e outras drogas. 

Falo do filme cru e nu (literalmente) "Love" do produtor Gaspar Noé. 


Nome: Love (Amor, em português)
Data de Lançamento no Brasil: 10 de Setembro de 2015
Direção: Gaspar Noé
Roteiro: Gaspar Noé

Música composta por: Lawrence Schulz
Cinematografia: Benoît Debie

Duração: 130 minutos

Alguns nomes do elenco: Karl Glusman, Aomi Muyock, Klara Kristin, Gaspar Noé, Frank Wiess e Norman Jacques.


De acordo com a sinopse: "Murphy (Karl Glusman) está frustrado com a vida que leva, ao lado da mulher (Klara Kristin) e do filho. Um dia, ele recebe um telefonema da mãe de sua ex-namorada, Electra (Aomi Muyock), perguntando se ele sabe onde ela está, já que está desaparecida há meses. Mesmo sem a encontrar há anos, a ligação desencadeia uma forte onda saudosista em Murphy, que começa a relembrar fatos marcantes do relacionamento que tiveram."

É um filme em sua mais pura essência. Perfis como realmente são. Com atitudes compreensivas e até esperadas para o(s) casal(is) da trama. O filme se enquadra no gênero de drama erótico e de thriller. A sinopse explica tudo em poucas palavras. É incrível se sentir dentro da mente e compartilhando dos pensamentos mais íntimos do personagem principal, que vive constantemente infeliz e saudoso pela ex-namorada, a que parece ser o amor de sua vida. 

É um filme muito real em seus desdobramentos e traz consigo maus posicionamentos, péssimos hábitos e um desiquilíbrio psicológico e emocional de quase todos os envolvidos da trama. O fato de não saber lidar com a pressão, com o término de um relacionamento, com a falta que se sente do outro, acabou desencadeando reações e ações estranhas nos personagens, a ponto dos mesmos destruírem literalmente suas vidas pouco a pouco. Seja com sexo sem fim, muitas drogas lícitas e ilícitas e agressões verbais e físicas. 


A fotografia deste filme é algo realmente invejável. A perpetuidade com o manejo do corpo humano, da iluminação em cada cômodo, o efeito sonoro em passadas conjuntas com cada desenvolvimento da estória... tudo se encaixou perfeitamente. É um filme de aspecto sombrio com o amor como protagonista. Ou pelo menos a retratação que se tem do que é amor. O amor verdadeiro. Alguns personagens mostram um amor todo distorcido, aliás, um sentimento que não considero (e dizendo como uma opinião bem pessoal mesmo) como amor em hipótese alguma. 

Há sim uma dependência exagerada, um distúrbio sexual, talvez. Mas amor propriamente é difícil de se acreditar. Há muita agressão para ser amor. O amor em sua forma mais pura, e para quem já o sentiu de verdade, é compromissado com a liberdade, com o desejo efervescente e consciente. O amor mostrado no filme não tem compromisso, respeito ou comunhão com o caráter. É movido pura e completamente pela líbido de cada parte. Até a concepção de "casal" foi duvidosa para mim. 

Na minha concepção, casal são duas pessoas, dois organismos que se amam, se respeitam, se desentendem com a normalidade aceitável. Não três pessoas ou orgias. Não reconheço como casal, dois indivíduos que vivem em clima de traição e desejos desmascarados até com uma sombra que passa de relance. É esta desestrutura que os envolvidos demonstram. Total desiquilíbrio e não saudável para um casal consolidado e com base sólida. 


O filme tem muito deste desequilíbrio, não sei se dá para classificar como distúrbio. Entretanto é tudo, menos normal. Muitas das coisas são feitas sem ciência racional, somente sobre o efeito de drogas e entorpecentes. São questões pesadas que o diretor quis jogar para os telespectadores de maneira crua e muito nua. Sem desculpas. Sem rodeios. No começo achei um pouco difícil me situar na trama. Mas com o tempo você compreende melhor. 

Na trama há todo um desenrolar de um casal que parece viver felizes para sempre. Quando os defeitos, reclamações e ciúmes começam a aparecer e estragar todo bom sentimento que se tem, aí é que começam os problemas. A nudez é parte integrante durante todo o filme. Há uma disposição ao sexual a todo momento. Desejos em quase todas as cenas.

Não sei se classifico, de forma bem pessoal mesmo, os sentimentos dos personagens como amor. Não sei dizer. Se aquilo que é mostrado no filme é afirmado como amor, eu nunca quero sentir. Nunca quero viver aquela péssima realidade trágica. Sem dúvidas este é um filme que vai ser muito aclamado pelas críticas de uma forma positiva, mas causará muitas divergências de opiniões. Sem sombra de dúvidas. 

Alguém aqui já assistiu este filme? Eu o recomendo para aquelas pessoas que procuram entender a vida em pelo menos parte de seu louco significado e meias explicações. Que tentam entender a loucura que é a vida e buscam sempre explicações do que é o amor além da palavra. O que nem sempre iremos encontrar uma explicação. Cabe a nós continuarmos vivendo na nossa concepção do que é o amor e sempre tentar reconhecer que ele não é igual para todos. 

Até breve. 

Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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