23 de junho de 2015

Pesquisa pessoal: esclarecimentos sobre a origem do Vegetarianismo


Desde tempos remotos e nas mais inúmeras civilizações sabemos - e temos registros - da existência de seres humanos vegetarianos que pelas mais diversas razões não se prestavam a comer carne. Algumas culturas até acreditavam que comer carne era um meio de impedimento de chegada ao reino espiritual. É sobre isto e a origem conhecida do Vegetarianismo que quero conversar com vocês hoje.

Tem-se noção do vegetarianismo e seu surgimento a cerca de 5 milhões de anos. Na pré-história, sabe-se que nosso antepassado mais antigo, o Australopithecus anamensis tinha uma alimentação voltada para frutas, folhas e sementes, vivendo assim em completa harmonia com a natureza e os pequenos animais. Foi assim até o Australopithecus Boesei, por volta de 2,4 - 1 milhão de anos atrás.

Com o surgimento e domínio do fogo e aperfeiçoamento de armas de caça, o nosso antepassado mais recente, o Homo neanderthalensis (127.000 - 30.000 anos) caçava em grupos pequenos de animais como mamutes até os mais pequenos, como os veados. Toda carne era minuciosamente aproveitada. Anos mais tarde foram adotadas culturas de "vegetais fixas", onde animais como porcos selvagens, felinos, cães, ovelhas, ratos, etc. foram sendo criados e domesticados. Muitos destes animais foram mortos para o consumo, começando assim a saga do homem enxergar estes e outros animais como alimento.

Por volta de 3200 a.C, no Egito já havia a crença de que uma dieta vegetariana era essencial para a facilitação kármica para a reencarnação. Na China e Japão antigos, por volta do século III a.C, os terrenos eram propícios para o cultivo de práticas vegetarianas. Para os celtas e os azetecas, a carne era preparada para grandes rituais de contato com os deuses pagãos. Estes eram intimamente ligados à natureza e toda sua misticidade. Quando não era ligados às práticas religiosas, o consumo de carne só se dava a ponto de quando houvessem caçadas.

Para os gregos e romanos, o trigo, a oliveira e a vinha eram bases da alimentação da população mais pobre. Carne era um luxo para poucos, só quem comia era quem possuía grandes riquezas. Estes alimentos naturais eram vistos como dignidade e elevação de espírito por parte de quem os consumia. Frutos de um trabalho digno e de muito esforço. Cereais também faziam parte da alimentação destas civilizações, especialmente de vários povos do Mediterrâneo.

Matemático e filósofo grego, Pitágoras e o filósofo romano Platão, foram fortes colaboradores para a "causa" vegetariana na sua época. Seus argumentos eram os seguintes: veneração religiosa, saúde física e responsabilidade ecológica. Não muita muito para os dias de hoje, né? Amo o estilo de vida vegetariano pelos seguintes motivos: saúde otimizada do indivíduo, o meio-ambiente e pelos animais.

No Cristianismo, muitas civilizações viram a dieta sem carne como um forte colaborador de limpeza e purificação corporal interna e externa. Na Idade Média comer carne era primordial e quem era contra, era completamente perseguido, dito como herege e eliminado pela Igreja Católica. Dois vegetarianos que conseguiram sobreviver ao abate foi o Santo David (Santo padroeiro de Wales) e o São Francisco de Assis. O mundo medieval considerava que os vegetais eram apenas alimento para os animais e quanto mais alguém comesse carne, mais rico, poderoso e elevado era esta pessoa perante as classes sociais.

Na era renascentista, o vegetarianismo era raro. Porém, devido às guerras e matanças diárias, muitas alternativas naturais foram adotadas. Colheitas e plantações foram cada vez mais frequentes para alimentar uma população empobrecida e esfomeada pela guerra. Vegetais como milho, batatas e a couve-flor foram introduzidas no cardápio, ajudando assim no combate à doenças dermatológicas, que eram frequentes no período abordado.

Com o Antropocentrismo (o homem no centro do universo), muitas teorias ante abatimentos aos animais e objeções de cunho moral começaram a ser declaradas e ouvidas. Era visível a crescente matança aos animais de maneira cruel e sofredora, como por exemplo, as galinhas tinham seus pescoços golpeados e logo após eram deixadas para sangrarem até a morte e porcos eram chicoteados até a morte com cordas cheias de nós implicando ainda mais o sofrimento dos mesmos. Não muito depois isto era visto como um desrespeito com os animais. Grandes filósofos como Voltaire, Rousseau e Locke indagaram e refletiram sobre o papel do homem e suas responsabilidades para com os animais.

No século XIX, cristãos radicais difundiram consideravelmente o vegetarianismo na Inglaterra e nos Estados Unidos. No ano de 1880 e meados destes anos, haviam populares restaurantes vegetarianos em Londres devido às suas refeições de baixo custo e de alto valor nutricional.

De lá para cá, muito mais se descobriu sobre o vegetarianismo e seus benefícios para o corpo humano. Acredita-se que daqui a alguns anos a população mundial tenderá a se tornar vegetariana devidos às questões que remetem ao meio ambiente, a água e custos sustentáveis. Tendo em vista que para produzir carne e manuseá-la, o custo é altíssimo, principalmente para a natureza. Muitas ONGs e Instituições foram criadas e permanecem até os dias de hoje, como é o caso da International Vegetarian Society de 1908.


Não é de hoje que pesquisas associam a prática de comer carne à doenças cardiovasculares, cânceres e outros mais diversos males. Há benefício no consumo da carne sim, também não dá para negar. Porém, a cada dia comprova-se mais a eficácia de uma dieta vegetariana no combate e prevenção de todas estas doenças. É de nosso conhecimento que uma pessoa vegetariana tem taxas mais saudáveis e equilibradas em diversas áreas da saúde. Mais para a frente faço alguns posts relacionados aos benefícios de uma dieta vegetariana.

No mais, é isto meus queridos. É necessário que cada vez tenham pessoas mais informadas sobre o vegetarianismo independentemente de ser vegetariano ou não e sua importância individual e coletivamente no meio em que vivemos e a vida que levamos. Cada vez que pesquiso, percebo que não dá para ser 100% vegetariano devido aos inúmeros requisitos que utilizamos no nosso dia-a-dia. Não andaríamos de ônibus ou calçaríamos alguns produtos. Mas é importante que nos conheçamos, saibamos de nossas necessidades e quadro pessoal para fazer uma mudança para o vegetarianismo - ou não - e para viver de maneira mais ecológica e natural possível.

Temos escolhas e decisões que na maioria das vezes dependem exclusivamente de nós. Alguns momentos é impossível combater desde a origem até o momento atual, mas podemos contribuir da nossa forma pesquisando e colaborando com as empresas que se preocupam com o nosso meio ambiente. Que se preocupam com nossas causas e nossos limitados recursos. E se comer carne, é importantíssimo ver a origem e modo de preparo para poder consumi-la e ter o efeito desejado. Fabricas de reciclagem, empresas de produtos de beleza, cosméticos e perfumes, empresas de tecnologias e recursos tecnológicos: você já procurou apoiar e ajudar de alguma maneira (seja pessoalmente ou virtualmente ou financeiramente) alguma destas empresas que contribuem para as causas ambientais e dos animais? Pesquise, se informe, procure, se encareça por estas causas.

Algumas informações erradas podem confundir, no mais procure opiniões de especialistas e defensores destas causas para mais dados. É sempre bom aprender sobre este assunto de tamanha importância global. Caso eu tenha me equivocado em algum comentário ou observação aqui neste post, por favor, me alerte e vamos conversar sobre um mundo mais sustentável e uma humanidade mais solidária. Você e vegetariano ou come carne nas suas refeições diárias? Vamos conversar sobre os dois lado. Ah, e lembrem-se que além de especialistas e a internet, há outras fontes e estudo muito válidas também, viu? É vivendo e aprendendo. Mal posso esperar, vamos conversar, abraços!

Fonte base de estudo: aqui, aqui e aqui.
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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