15 de novembro de 2015

O design que agrada ou desagrada nos livros



Não é de hoje que nós, leitores assíduos e apaixonados pelas letras, temos um tipo de problema mal resolvido para com as edições dos nossos amados livros. Quando a Editora responsável publica nosso desejado lançamento de "qualquer jeito" sentimos no coração uma dor inexplicável. Uma coisa é sempre certa: queremos, todas as vezes, que o livro venha com uma ornamentação impecável, capa e qualidade de material irrevogáveis e com um cheiro particular que só os que amam cheirar páginas entendem.

É triste quando pegamos num livro de conteúdo tão bom e nos deparamos com versões minúsculas, páginas brancas, letras miúdas de trabalho científico e com uma capa que de longe deveria ter ultrapassado seu potencial. Foi pensando nestas aflições e problemas de quem ama livros, que resolvi fazer este post e levantar algumas questões: qual é o design para livros mais aceitável? Qual tipo de livro você acha lindo e memorável? Capa dura ou capa mole? Você acha que as Editoras deveriam dar mais atenção aos seus livros no quesito design? Quais Editoras atualmente estão dando um show de bola na publicação de seus livros? 

Reconheço que até hoje, por mais que eu ame os ebooks, não consigo deixar de querer todos os livros físicos do mundo. Sentir o cheiro deles, tocá-los com mãos calorosas, fotografa-los, observar cada detalhe é uma sensação impagável. Sinto como se ao fazer tudo isto, criasse uma conexão pessoal intransferível com o livro. Já comentei no blog em outras postagens que meu sonho é fazer uma biblioteca particular numa casa própria no futuro para as futuras gerações de filhos, netos, bisnetos e afins. 

O amor aos livros é inexplicável e lê-los, que é o que muitos "esquecem" é a melhor parte de tê-los. O objetivo de ter um design que agrada ao leitor é justamente a intenção de fortalecer este laço criado entre autor e leitor. Entre livro e sentimento. Não tem para onde correr, não conheço quase ninguém - quase ninguém mesmo, que não prefira um livro cheio de detalhes e ótima edição a um volume cheio de falhas. 

Uma coisa que me irrita e destrói a leitura de quase todos os leitores são os erros ortográficos e a falta de revisão. Este é um design, remetendo às fontes das letras também, que atrapalha e muito qualquer leitura. Erros de concordância, sentido e palavras, falta de letras, espaçamentos exagerados, entre outras coisas mais absurdas que já peguei (como frases incompletas) desagrada bem mais do que agrada, é óbvio e pode colocar uma leitura a perder. E infelizmente essa falta de revisão é comum tanto em traduções internacionais como em livros de autores nacionais que pagam caro por revisões. 

Nada disso foge da aba "design". O design de um livro é muito mais do que a capa e a contra capa. É TODO o livro. Todas as ilustrações. Todos os desenhos e mini detalhes dos rodapés e meio de páginas. O compromisso que o leitor cria com a obra é impenetrável. Só posso pedir uma coisa: Editoras e autores, CAPRICHEM nos seus livros. Não tenham pressa de publicar algo se o texto vai sair mal revisado ou não vai entrar nos padrões que você acha aceitável. Não faça isso consigo mesmo. Eu voto - e sei que qualquer leitor também - num design sem falhas, inebriante e delicado no sentido de bem cuidado.


Eu poderia escrever por horas e horas, pois este assunto é assunto para debater em fóruns de livros, por semanas. Mas o principal dos meus pensamentos eu já compartilhei com vocês. Agora preciso saber: o design tem importância para você meu amigo leitor? Como é o livro ideal para você? Vem conversar. Abraços e muitos livros ótimos. 

Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Laços atemporais

Não tenho para onde fugir. Desde sempre quando falo de livro, em livro, com livro, meu coração transborda de amor e vício louco. Quando passo numa banca de DVDs não consigo deixá-la de lado. Tenho que ir, ver, comentar, compartilhar, abraçar. Esta categoria representa tudo o que implica a minha mais alta motivação. Sou bibliófilo, cinéfilo de carteirinha. Passo horas em pé na livraria e perco a noção do tempo. Falar de coisas boa me dá combustível para viver e esta categoria está recheada de presentes bons. Saiba mais aqui.

Festim enigmático

Sempre estou em festa quando falo sobre tecnologia, relacionamentos, inspirações, etc. É isto o que esta categoria representa. Queria um nome que representasse festa, ao mesmo tempo que me inspirasse e a palavra "enigmático" cai como uma luva. Trata de uma euforia que não consigo ignorar. Saiba mais aqui.

Atauúba atiaîa

Eu estava procurando uma maneira de homenagear os povos indígenas de alguma forma no meu blog. Pouquíssimas pessoas sabem, mas recentemente descobri que tenho descendência indígena de bem próxima o que me deixou mais apaixonado e agradecido ainda. Procurei algo mais geral, pois é sabido que há inúmeras tribos espalhadas pelo Brasil e pelo mundo. Procurei algo em tupi guarani (língua em que o nome da categoria está escrita) e achei a combinação de duas palavras. Atauúba (flecha incendiária) Atiaîa (raio de luz que reflete luminosidade). O termo Atauúba atiaîa significa a modo grosso "flecha incendiária de luz" e é tudo o que esta categoria representa para mim quando falo de organização, estudos, etc. É uma maneira mínima de honrar nossos irmãos indígenas ainda hoje tão maltratados, perseguidos e injustiçados. Saiba mais aqui.