3 de agosto de 2016

Traçando novos trilhos


Sabe quando o mundo está girando em descompasso do seu giro interior? Minha alma tem procurado calma, paz, produtividade, motivação para correr em busca dos meus sonhos, tudo simultaneamente e desesperadamente. Inicio este texto com dezenas de emoções crepitando dos meus dedos e com o coração estralando na boca de tanta emoção reprimida. O desejo de ser intenso não só parcialmente, mas em tempo integral. O desejo de mostrar 100% quem sou eu e qual meu potencial neste mundo. 

Trago hoje uma reflexão bem pessoal, escrita sem muita pretensão, porém com toda sinceridade que consegui encontrar dentro de mim. O sono dando indícios de aparecimento enquanto minha motivação, elevada, trava um conflito inevitável para com meus dedos cansados (ao mesmo tempo reflexivos). Eu nunca pensei em escrever este texto, nem nunca o planejei. Acho incrível porque mais atual que ele não existe. Este post está acompanhando meu estado de mudança atual e revelando desejos que nunca tive.

De caráter profissional vim repensando minha existência e o que eu realmente iria querer na vida, da vida. Tantos são os pensamentos, as críticas, as motivações e paráfrases soltas. No momento estou querendo voltar para minha leitura atual (Fúria dos Reis, segundo livro de A Guerra dos Tronos, mais de 900 páginas de pura literatura fantástica) e me afogar em seus redemoinhos incomuns. Sem querer exagerar - ou mostrar qualquer coerência que seja - é nisto que tenho pensado, neste tipo de postura mais simples, nessa coisa de dar valor aos pequenos prazeres. Acho digno, pois acabei dando tanta razão a afazeres sem sentido e esqueci de viver em sua totalidade o extraordinário. Foi algo que fiz meio sem consciência. Algo que não irá mais se repetir. 

Eu comentei no post anterior que as postagens do blog voltariam normalmente, todos os dias um post novo, e que o blog seguiria seu ritmo de costume. Não sei dizer o que me deu (além da rotina apertadíssima e sem tempo para muita lorota) que eu não quis postar nada, nenhum texto pronto ou editável do rascunho (são vários esperando a publicação). Nada. Simplesmente nada. Quis deixar o blog com este vazio porque estou sentindo que o blog deve acompanhar seu dono da forma mais íntima que conseguir. Tenho um compromisso com vocês sem muito mimimi. Só que: o compromisso maior é comigo. 

Sinto que devo voltar às origens, recapitular e desmanchar formas enegrecidas e em desuso do meu eu que não me servem mais para nada. Vivo uma constante mudança. Numa espécie da água para o vinho. De verdade e de boas. A vida que estou levando atualmente me faz refletir o quanto e como está sendo meu impacto no mundo. Tanto a fazer, penso, nada feito, concluo. É aquele tipo de situação que nunca vou conseguir me conformar. Novos gostos, antigos deveres, medianos prazeres. As vezes me pergunto (e acabo interceptavelmente pensando) se realmente estou vivo e percebo que a verdadeira pergunta deveria ser: "O que estou fazendo com significado?" 90% de minha luta não está tendo significado. Está tendo objetivo, força de vontade, persistência, uma dose de loucura, alguns risos. Mas cadê o significado, cara? Cadê aquele "up", aquela satisfação que me faz vibrar? Eu quero o que sempre busquei e que não vi se perdendo no caminho. 

Este texto não é nada do que escrevo por aqui, nem tem o mesmo objetivo de inspiração de sempre ou algo do gênero. É somente um texto - embaraçado em seus pontos confundíveis - que minha alma me obrigou a escrever. Decidi publicar porque quero deixar marcado aqui em forma de post, um novo ciclo da minha vida. Novos objetivos, novas atitudes, nova maneira de reagir às situações adversas do meu cotidiano, novos olhares para cada situação de aprendizado da vida. Pela minha ótica, claro. A única que domino. Não é um texto de autoajuda ou de motivação pessoal. Talvez seja dependendo da interpretação de cada leitor e seu duplo sentido. Mas para mim, de forma bem despretensiosa, é um marco de clareza e satisfação. Um marco de sabedoria, fé, leveza e viva orientação. 

Tudo o que quero - e o que irei fazer agora - é voltar à minha leitura arrebatadora. Quanto mais escrevo, mais as palavras chegam no baú da minha escrivaninha viva. Mais quer se expressar, trazer adornos marcados pela minha débil e muitas vezes inexpressiva filosofia. Não arrisco nem dizer uma filosofia de botequim, pois ainda acho-a com muita classe, diferentemente do que mostrei neste meio tempo decorrido. A noite está gélida, nublada e bem perspicaz com seu cheiro de relva selvagem clamando pela romântica chuvarada. A música latino-americana distante num fone de ouvido longínquo. Batidas e verbos não politizados. 

Não consigo nada fazer se não organizo meus pensamentos imperativos. Uma guerra comigo mesmo e minha sensatez. A quimera do meu ser cada vez mais expressiva, pungente e desacreditada. Um luxo que não reluz a ouro, mas que aprecio sua beleza e valor. Chega por hoje. Eis o que farei: pegar meu livro, deitar no meu pomar particular e apagar toda luminosidade do ambiente. Ações simples que não demandam nenhum esforço e irei fundir minhas falácias ao pensamento do autor na obra como puder. Depois, colocar no papel minhas mudanças reais e para ainda hoje. Não medir barreiras para realizá-las. Afirmo para mim mesmo: um novo trovão nasceu nesta noite impensada. O universo eclode sabedoria.

Ps: os posts continuarão vindo, mas sem obrigação de datas certas. Estou me repaginando para colocar tudo em ordem. Colaboremos. 
Ewerton Lenildo
Ewerton Lenildo

Garanto tudo, menos dignidade. Sou o furacão dos dias mansos e a brisa das trovoadas. Gosto dos detalhes e dos temperos fortes. Tudo o que eu faço na minha vida, faço com supremacia. Onde escrevo: o Viajante das Letras e o Vegano Recifense. 🌲 🌳 🌴

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